O Calcanhar de Aquiles do dispensacionalismo

A Escatologia nos últimos 200 anos tem sido observada sem a devida análise crítica e racional.

            Não tenho predileção integral pela teologia do pacto, entretanto o capítulo 24 do livro de Mateus tem sido interpretado, pelos dispensacionalistas, nitidamente com o intuito de adequar a sua visão escatológica em uma interpretação distanciada não somente do contexto gramatical, mas histórico, lógico e sistemático do contexto profético descrito nas palavras de Jesus, ali pontuadas por Mateus.

            Os intérpretes dispensacionalistas, neste texto, separam os eventos do arrebatamento e da segunda vinda de Jesus Cristo, fazendo menção da parábola da figueira, todavia no referido texto verifica-se que Cristo está fazendo uma alusão explícita ao evento da sua segunda vinda em glória e triunfante.

            Confuso não é verdade, pois bem, tal confusão estabeleceu-se por culpa de uma interpretação seletiva, que visa atender a adequação do entendimento de uma cronologia escatológica, disseminada sem a devida análise crítica.

            “Logo depois daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua luz, as estrelas cairão do firmamento e os corpos celestes serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mateus 24:29-30).

              No versículo 32, do mesmo capítulo 24 de Mateus, Jesus faz alusão a parábola da figueira deixando claro que o objetivo da parábola ali é tão somente o de demonstrar que, quando ocorrerem os fatos ali narrados, o tempo do cumprimento da profecia de sua vinda estaria próximo (Mateus 24: 32-34).

               Atribuir a figueira o significado do reconhecimento da nação de Israel, que deu-se no ano de 1948, é irrelevante ao conteúdo da mensagem ali exposta, pois o foco da profecia, nitidamente aborda o maior evento que ocorrerá na Terra em todos os tempos: A Vinda Gloriosa de Jesus Cristo ou como alguns declaram: A Segunda Vinda de Jesus Cristo.

             O versículo 30 do capítulo 24 afirma que “todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem …”

              Se o capítulo 24 inteiro fala da queda do Templo judaico e também do fim dos tempos e da segunda vinda de Cristo, sendo que por esta razão, vários estudiosos entendem ter o referido capítulo dupla aplicação interpretativa, não há razão para retirar a parábola da figueira do contexto da segunda vinda, para aplicá-la ao arrebatamento especificamente como deduzem os dispensacionalistas, pois o texto é claro ao afirmar que no referido evento, todos verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu.

             O capítulo 24 do versículo 1 até o versículo 14 aborda o princípio de dores (fatos que ocorrerão antes da segunda Vinda de Jesus).

            O versículo 15 até o 28, do mesmo capítulo 24, relaciona-se, segundo a maioria dos estudiosos ao evento que culminou com a queda do Templo judaico, no ano 70 depois de Cristo e, ao mesmo tempo, a uma narrativa detalhada do período escatológico denominado de “A grande tribulação”.

            Os estudiosos entendem que o referido período, vivenciado pelos judeus até o ano 70, em termos de angústia, dor e tribulação, e o período vindouro denominado de “A grande tribulação, equivalem-se, dentro de seus respectivos parâmetros, pois esta tribulação, que fora vivenciada pelos Judeus no ano 70 D.C.,  ocorrerá no futuro com uma amplitude de efeitos de sofrimento, com o advento do Anticristo (Apocalipse 13), e representará o período de maior aflição, vivenciado principalmente pelos escolhidos.

           Já a partir do versículo 29 até o 35, a narrativa é explícita e refere-se, inequivocamente, a segunda vinda de Jesus.

           A partir do versículo 36, o que é narrado está atrelado a exortação e vigilância, pois aquele dia será um dia de surpresa, principalmente para aqueles que não têm o seu nome escrito no livro da vida.

           Mas nós aguardamos o nosso encontro com Cristo, onde o nosso corpo tornar-se-á incorruptível, o regozijo será eterno, e as lágrimas de nossos olhos serão enxugadas.

                Soli Deo Gloria

               JOHNN ROBSON MOREIRA

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