Livre Arbítrio, um devaneio teológico

Pode o homem escolher o sagrado em detrimento do profano ?

Escolher o bem e repugnar o mal ?

É inegável a liberdade de escolha de nossas ações.

Posso optar pelo trabalho, ao invés da ociosidade.

Posso optar pela dignidade do que trilhar um caminho de desrespeito ao próximo.

Posso viver, pensar, navegar, sonhar, curtir, inovar, transpor limites, arriscar, planejar e responder por todos os atos realizados, dentro do limite de minha responsabilidade.

O ser humano, todavia, não possui uma outra capacidade.

Por si só, o homem não reúne condições de superar a sua malignidade, suas invejas, seus rancores, suas decepções.

Em nosso “gene” espiritual existe uma característica que herdamos de nossos primeiros pais.

Somos filhos da desobediência.

O bem que quero fazer, os planos e projetos atrelados ao bem estar familiar, os meus bons propósitos, e tudo que há de bom em mim, não tenho capacidade para fazer, ao contrário, o que prevalece é o mal, mesmo com a melhor aparência de piedade possível.

Ao avaliar a nossa conduta pela régua da nossa ótica, alcançamos a plena satisfação do nosso desempenho.

Todavia, o nosso maior problema é que esta avaliação não nos pertence.

Existe um Juiz que é justo, bom, poderoso, santo, amoroso e soberano, que tem a palavra final acerca da avaliação do que fazemos.

Paulo, o Apóstolo, é enfático ao afirmar no capítulo 2 do livro de Efésios que nós estávamos mortos em nossos delitos e pecados e por Cristo, fomos vivificados.

Um morto não tem capacidade de pensar, escolher, determinar, orar, sequer de respirar.

Estávamos como Lázaro, mortos.

Mas Cristo vivificou nossa vida e hoje temos condições de reconhecer o Senhorio e Salvação que nos foi oferecida gratuitamente por Cristo.

A minha participação nisto está tão somente no reconhecimento de que quem realizou a Obra desta tão gloriosa Salvação, foi Jesus Cristo.

Alguns dirão: Pois bem, eu reconheci e aceitei a Jesus; o meu grau de participação nesse processo pode ser pequeno pois a obra foi realizada por Cristo e eu reconheço a magnitude do plano de Salvação.

Mais uma vez estamos enganados.

Graça, significa, favor imerecido.

Esta Graça foi concedida integralmente por Deus e até mesmo o convencimento da obra da Salvação é feito por ele.

Ele nos atraiu, Ele nos amou primeiro, Ele nos convenceu de nossos delitos e pecados, por intermédio do Espírito Santo. A Honra e a Glória é tão somente para ele.

Quanto à nós, estávamos mortos nos nossos delitos e pecados e se hoje podemos partilhar da Fé em Cristo, somente o fazemos pela Graça de Deus para conosco, não pelo Livre Arbítrio, pois um morto não tem capacidade para escolher o que é melhor para si, pois nem vida ele tem.

Por tal razão o Livre arbítrio é uma utopia, no que diz respeito à Salvação da Alma, pois o homem, por si só, não dispõe dessa capacidade de escolha.

A pergunta final portanto é a seguinte:

E a Fé ? Ela não é algo intrínseco ao ser humano ?

Sim a Fé é personalíssima, mas esta fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus.

O convencimento para ouvir, assimilar e crer na palavra é feito por Deus.

Deus é que atraí o homem a ouvir a sua palavra. Ele é o responsável por tudo.

Ao ouvir tais palavras a sensação que temos é que o homem, por mais que tenha habilidades, dons, capacidades físicas e intelectuais, não passa de um miserável, no que tange ao reconhecimento de seus pecados ?

Sim, é isto mesmo.

O Apóstolo Paulo sintetizou nossa condição:

“ Miserável homem que eu sou, quem me livrará do corpo desta morte ? ” ( Romanos 7:24).

A nossa esperança todavia reside no fato de que “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito” (Romanos 8:1).

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”.

                                     Efésios 2:8

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